|
Artigo de Francisco Norega - Activista do Ensino Secundário
Na passada quinta-feira, dia 4 de Fevereiro, os estudantes
aproveitaram o seu dia e saíram às ruas num protesto apartidário,
defendendo o seu direito a um Ensino Público digno, justo e
acessível para todos.
Em Coimbra, cerca de duas centenas de estudantes das várias escolas
Básicas e Secundárias juntaram-se à frente da Câmara Municipal
pouco depois das 10h, seguindo depois para o Governo Civil, onde
entregaram uma Moção. Gritando palavras de ordem durante toda a
manhã, manifestaram-se contra as condições degradantes de muitas
escolas do concelho e contra muitos outros problemas que afectam
directamente os estudantes portugueses.
Desde os preços nas papelarias e nos bares, exorbitantes e
incomportáveis por aqueles com menos posses, à educação sexual
implementada apenas nos 10os anos e leccionada em tempo de
aulas de outras disciplinas; desde o regime de faltas que trata os
alunos como criminosos, aos exames nacionais, que relegam para
segundo plano a aplicação e os esforços de alunos que estão, em
disciplinas como o Português, sob avaliação contínua durante três
anos.
Em escolas em obras, como a Escola Secundária Avelar Brotero, já
por mais de uma vez turmas inteiras fizeram testes enquanto, em salas
contíguas, pedreiros realizavam trabalhos ruidosos. Já na escola
Jaime Cortesão, devido à falta de espaços suficientes para a
realização das aulas de Educação Física por mais do que uma
turma simultaneamente, os alunos têm de se deslocar até ao Estádio
Universitário, andando pelas ruas da cidade cerca de um quilómetro,
sujeitos a intempéries e outros contratempos. Ainda nesta escola, há
paredes de salas de aulas que já não se encontram intactas e,
apenas a título de exemplo das péssimas condições do
estabelecimento, as casas de banho nos balneários dos rapazes são
meros buracos no chão. Voltando a falar da Secundária Avelar
Brotero, o novo pavilhão gimnodesportivo, fruto das obras de
modernização das escolas promovidas pelo Governo de Sócrates, não
é fechado dos lados, entrando vento e chuva que perturba a
realização de aulas de Educação Física e é ainda provido de um
péssimo pavimento, áspero e abrasivo.
Depois de duas horas de protestos, os estudantes começaram a
desmobilizar, mas muitos exercendo o seu direito à greve durante
todo o dia.
» 3 Comentários
3Comentários em Sábado, 06 de Fevereiro de 2010 23:43
É isso mesmo, daniela. As obras na Brotero foram completamente despropositadas - estávamos tão melhor, mas tão melhor com a nossa escola antiga.
2"Muito bem Francisco" em Sábado, 06 de Fevereiro de 2010 23:35
Estás de parabéns Francisco o artigo está muito bom e completo. É com a tua palavra que vais conseguir mudar o mundo, por isso, obrigada.
1"A6162" em Sábado, 06 de Fevereiro de 2010 23:35
lamentavelmente, confirmo tudo o que está escrito neste artigo. eu também estive na manif de quinta-feira. quanto à avelar brotero, foste até brando. tenho mesmo pena que seja assim. tenho pena de ter chegado depois do ínicio daquelas desnecessárias obras, obras "invejadas" pelos alunos da jaime cortesão e odiadas pelos alunos da avelar. já não é o edíficio que me fascina, está aborrecido, branco e quadrado, demasiado moderno para uma escola especializada em artes
» Submeter Comentário
|